Ministério do Turismo vira casa da sogra durante crise pré-impeachment

Trocas de ministros, suspeita de desvios e descuido da imagem pelo órgão que deveria zelar por ela, em pleno ano olímpico, assolam o ministério, que pode ser extinto

Nem o interesse que um ministério poderia despertar com a distribuição de cargos políticos impediu que a pasta do Turismo fosse tratada como artigo de quinta categoria durante os últimos cinco meses em Brasília.

Desde o fim de março até hoje, um dia após o impeachment de Dilma Rousseff, o ministério mudou de titularidade quatro vezes, indo e voltando para as mãos do secretário-executivo Alberto Alves, interinamente na função desde 17 de junho.

A pasta – que já teve a ex-ministra Marta Suplicy aconselhando os brasileiros a ‘relaxar e gozar’ durante o caos aéreo – nunca serviu de exemplo de longevidade de seus ocupantes, mas jamais foi tão negligenciada quanto em 2016, justamente o ano em que o Brasil teve uma oportunidade ímpar de “se vender” para o mundo.

O primeiro a deixar o ministério em 2016 foi Henrique Alves, no dia 28 de março, ao pedir demissão após 11 meses no cargo. Vendo que o barco de Dilma ia naufragar, o peemedebista pulou fora em lealdade ao partido, o mesmo do então vice-presidente Michel Temer.

Em 22 de abril, ainda sob o governo Dilma, assumiu a pasta Alessandro Teixeira, ex-presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).

Teixeira ‘chegou chegando’: dias depois da posse, sua então esposa Milena Santos, ex-Miss Bumbum Miami 2013, postou fotos no Facebook em que trocava afagos com o ministro em pleno gabinete. Em uma das imagens, na qual aparece sozinha na frente do mapa-múndi, seu decote volumoso encobre exatamente a América do Sul. No mesmo post, a modelo intitulou-se Primeira Dama do Ministério do Turismo do Brasil.

Ato contínuo, fotos muito mais lascivas de Milena começaram a circular na internet, incluindo uma série em que posa seminua com uma faixa presidencial em frente ao prédio da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Nas fotos da “Primeira Dama”, as famosas palavras da ex-ministra Marta Suplicy, enfim, ganharam sentido.

No dia 11 de maio, após 20 dias no cargo – menos do que ficou o interino Alberto Alves –. Alessandro Teixeira afundou com o barco de Dilma.

Pois adivinhe quem Michel Temer, doravante presidente em exercício, chamou para o cargo? Ele mesmo, Henrique Alves, o ministro que deixara o governo Dilma em lealdade ao PMDB.

Não durou muito. Um mês depois, no dia 16 de junho, o ministro pediu exoneração sob a acusação de ter recebido da Transpetro, entre 2008 e 2014, o valor de R$ 1,55 milhão em propinas. 

No dia seguinte, o interino Alberto Alves reassumiu a função, enquanto a grande mídia noticiava uma possível extinção do ministério ao fim da Olimpíada.

Manter um órgão sem integridade e compromisso com resultados, suspeito até de desviar recursos de emendas parlamentares, não é só desnecessário para o nosso turismo, como, a julgar pelo histórico recente do ministério, inútil, caro e até embaraçoso.

Potências turísticas como França, Itália e Inglaterra, por exemplo, não têm Ministério do Turismo.

Por quê? Porque qualquer que seja a terminologia – Ministério, Escritório, Bureau ou Embratur –, o que importa é o uso eficiente dos recursos humanos e financeiros na promoção da atividade turística do país.

Uma iniciativa do ministério brasileiro dá uma ideia de sua inépcia e inoperância.

Em novembro de 2012, o órgão voltou a reavaliar e classificar os hotéis do Brasil para auxiliar os turistas do mundo todo a escolher sua hospedagem para a Copa de 2014 e a Olimpíada do Rio.

Hoje, às vésperas da Paralimpíada que encerrará esse ciclo, o site do chamado Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass) lista minguados 59 endereços, contra, por exemplo, os 4800 hotéis avaliados pela edição 2014 do Guia Quatro Rodas.

Segundo relatório do World Travel & Tourism Council, o turismo foi responsável por 3,3% do PIB brasileiro e 2,9% dos empregos diretos do país em 2015, percentuais que sobem para 9% e 8%, respectivamente, quando considerado o impacto indireto. Dos 184 países pesquisados, porém, o Brasil deverá ser apenas o 179° em crescimento no turismo em 2016, mesmo em ano olímpico, e o 149° nos próximos 10 anos.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s