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texto resumo

É assim que se forma o casal perfeitinho. Ambos são lindos, fortes, inteligentes e, naturalmente, bem-intencionados. A pureza é vista sobretudo em Diana, que foi criada literalmente em uma redoma, à parte da sujeira e da crueldade do mundo. Apesar da perfeição, os protagonistas agradam o público. Primeiro, porque a guerra impõe obstáculos para que os dois fiquem juntos, e a relação da dupla se distancia de um namorico água com açúcar. Segundo porque eles têm nuances, ainda que leves e ainda que óbvias para quem já viu algum desenho de super-herói, têm as suas dúvidas e crises pessoais. Terceiro, porque podem mesmo cativar com a doçura que têm (e com o excelente trabalho de Gal e de Pine). E, quarto, porque os dois são bastante distintos um do outro, vêm de culturas e de tempos diversos, e Patty Jenkins sabe explorar as diferenças em todas as suas possibilidades. A começar pela ideia de que aquilo que distancia duas pessoas pode ser também o que as aproxima.

Ruínas da casa dos jesuítas, em Itacaré Ruínas da casa dos jesuítas, em Itacaré

Ruínas da casa dos jesuítas, em Itacaré (divulgação/Reprodução)

Ao permear as cenas em que Diana e Trevor se estranham e se entendem, o choque cultural ganha ainda outras serventias. Ele embrulha e camufla o que poderia ser entendido como um discurso feminista – que não deixa de ser, mas fica suave – e panfletário. E injeta humor em um filme carregado de tensão e de cenas intensas de ação, bem realizadas por uma atriz treinada no serviço militar de Israel. É do choque cultural que surgem as sequências mais divertidas, além de provocativas. Ao atiçar o olhar antropológico do espectador, o faz ver a si mesmo e ao mundo, que considera normal, como um outro, como o diferente.

O choque cultural embala com uma camada extra cenas como aquela em que Diana é levada por Trevor para comprar algo que cubra mais o corpo do que os breves modelitos de Themyscira, pelos quais recebe aquelas indesejáveis cantadas típicas das ruas, ao aportar em Londres. Ao ver um espartilho na loja, ela se admira: “Essa é a armadura de vocês?” Ao que a secretária – “Secretária é alguém que faz tudo? Na minha terra, isso é chamado escravo” – de Trevor explica que a peça é usada para comprimir a barriga. “Mas para quê comprimir a barriga?” Diana também estranha os vestidos e as saias longas. “Como vocês lutam com isso?”

 

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